segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Juventude e trabalho no Brasil


Mesmo com todos avanços que tem ocorrido na atualidade no mercado de trabalho brasileiro, não tem sido suficiente para reverter o quadro de desemprego dos jovens, apesar de estarem qualificadas para ocuparem uma vaga no mercado de trabalho.
Bock (2002) entende que a dificuldade de muitos jovens para entrada no mercado de trabalho, mesmo com cursos além da graduação como Inglês e Informática decorre da escassez de emprego e uma demanda muito grande de jovens que preenchem os requisitos da empresas, assim as exigências são cada vez maiores.
Diante desse quadro de desemprego e necessidade de trabalhar cedo, principalmente dos jovens das classes populares, eles sofrem muitas pressões econômicas, sociais e políticas. E acabam ingressando no mercado informal de trabalho para garantir o recebimento de alguma renda no final do mês, mesmo tendo qualificações para ocuparem cargos mais qualificados.
Além das pressões sofridas pelos jovens, principalmente os das classes populares, outro fator preponderante é a desigualdade social.
Quando analisamos a relação entre juventude, mercado de trabalho e educação, devemos nos preocupar em verificar as desigualdades que persistem entre as juventudes que se preparam para o mercado de trabalho, em relação à raça, sexo, idade, cor, condição econômica, social, etc. Dizemos isso porque presenciamos situações em algumas escolas onde os jovens e os adolescentes eram tratados com preconceito e discriminação por serem diferentes, por não se “enquadrarem” nos padrões requisitados pela sociedade ou por não apresentarem o mesmo capital cultural e social de que fala Bourdieu (1982).
Ocupar uma vaga no mercado de trabalho brasileiro não é uma tarefa muito simples, mesmo demandando das ‘’ supostas qualificações’’, principalmente para os jovens das classes baixas, que não se encaixam no perfil estético e padronizado de um perfil social elitista.
Esses fatores contrariam a teoria de capital humano que através da escolaridade potencializa a criação de emprego. Para Pochmann (2004), a escassez de emprego acaba criando um preconceito de classe, pois os empregos de maior qualidade ser preservados aos mais ricos.
Os jovens, diante dessa lógica perversa acabam atribuído essa situação a uma questão apenas pessoal, como fosse os únicos responsáveis pela falta de emprego. Isso acaba provocando a concorrência desenfreada, veiculado pelos meios de comunicação de massa e pelo senso comum.
Infelizmente essa tem sido a realidade brasileira do mercado de trabalho para os jovens, é necessário que haja uma mudança profunda no modo de organização econômica, política e social para que ocorram alterações significativas na vida dos jovens, principalmente entre os jovens das camadas populares que sofrem maiores desigualdades educacionais, sociais e financeiras.
 ABRAMO, H.W; FREITAS, M.V(orgs). Juventude em Debate. São Paulo: Cortez, 2002.
  YAMANAKA,  Karina Yukari.  JUVENTUDE, TRABALHO E A CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO DE JOVENS INSERIDOS NO ENSINO MÉDIO.
MARTINS, H. H. T. S. O Jovem No Mercado de Trabalho. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. -, n. 5-7, p. 96-109, 1997.
POCHMANN, M. Educação e trabalho: como desenvolver uma relação virtuosa? Educação e Sociedade, Campinas - SP, v. 25, n. 87, p. 383-400, 2004.

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