Juventude
e trabalho no Brasil
Mesmo com todos avanços
que tem ocorrido na atualidade no mercado de trabalho brasileiro, não tem sido
suficiente para reverter o quadro de desemprego dos jovens, apesar de estarem
qualificadas para ocuparem uma vaga no mercado de trabalho.
Bock (2002) entende que a dificuldade de
muitos jovens para entrada no mercado de trabalho, mesmo com cursos além da
graduação como Inglês e Informática decorre da escassez de emprego e uma
demanda muito grande de jovens que preenchem os requisitos da empresas, assim
as exigências são cada vez maiores.
Diante desse quadro de
desemprego e necessidade de trabalhar cedo, principalmente dos jovens das
classes populares, eles sofrem muitas pressões econômicas, sociais e políticas.
E acabam ingressando no mercado informal de trabalho para garantir o
recebimento de alguma renda no final do mês, mesmo tendo qualificações para
ocuparem cargos mais qualificados.
Além das pressões
sofridas pelos jovens, principalmente os das classes populares, outro fator
preponderante é a desigualdade social.
Quando
analisamos a relação entre juventude, mercado de trabalho e educação, devemos
nos preocupar em verificar as desigualdades que persistem entre as juventudes
que se preparam para o mercado de trabalho, em relação à raça, sexo, idade,
cor, condição econômica, social, etc. Dizemos isso porque presenciamos
situações em algumas escolas onde os jovens e os adolescentes eram tratados com
preconceito e discriminação por serem diferentes, por não se “enquadrarem” nos
padrões requisitados pela sociedade ou por não apresentarem o mesmo capital
cultural e social de que fala Bourdieu (1982).
Ocupar uma vaga no
mercado de trabalho brasileiro não é uma tarefa muito simples, mesmo demandando
das ‘’ supostas qualificações’’, principalmente para os jovens das classes
baixas, que não se encaixam no perfil estético e padronizado de um perfil
social elitista.
Esses fatores
contrariam a teoria de capital humano que através da escolaridade potencializa
a criação de emprego. Para Pochmann (2004), a escassez de emprego acaba criando
um preconceito de classe, pois os empregos de maior qualidade ser preservados
aos mais ricos.
Os jovens, diante dessa
lógica perversa acabam atribuído essa situação a uma questão apenas pessoal,
como fosse os únicos responsáveis pela falta de emprego. Isso acaba provocando a
concorrência desenfreada, veiculado pelos meios de comunicação de massa e pelo
senso comum.
Infelizmente essa tem
sido a realidade brasileira do mercado de trabalho para os jovens, é necessário
que haja uma mudança profunda no modo de organização econômica, política e
social para que ocorram alterações significativas na vida dos jovens,
principalmente entre os jovens das camadas populares que sofrem maiores
desigualdades educacionais, sociais e financeiras.
YAMANAKA,
Karina Yukari. JUVENTUDE,
TRABALHO E A CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO DE JOVENS INSERIDOS NO ENSINO
MÉDIO.
MARTINS, H. H. T. S. O Jovem No Mercado
de Trabalho. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. -, n.
5-7, p. 96-109, 1997.
POCHMANN, M. Educação e trabalho: como
desenvolver uma relação virtuosa? Educação e Sociedade, Campinas
- SP, v. 25, n. 87, p. 383-400, 2004.

